quarta-feira, 10 de março de 2010

O já batido caso Jayson Blair e uma previsão pessimista

O escândalo decorrente das reportagens imaginárias criadas pelo ex-jornalista do periódico americano ''The New York Times'', Jayson Blair, proporcionou um abalo tremendo na credibilidade de um dos veículos que servem como referência jornalística em todo o mundo. Além da evidente gravidade do ocorrido, o caso ganhou uma proporção enorme por se tratar do jornal citado acima, mas vale a pena recordar que estamos atravessando um período crítico do jornalismo mundial, onde o trabalho sério e bem executado anda cada vez mais escasso.

Diariamente sofremos um verdadeiro bombardeio de informações, que nos chegam de diversas formas e em formatos variados. Com a expansão cada vez maior da internet, o meio informativo, que já era movimentado, sofreu ameaças e se viu obrigado a aceitar e se readaptar as novas tendências globais. A qualidade da informação, e isso entende-se por um processo de apuração aprofundado da notícia, a consulta das fontes, ouvir todos os lados possíveis da história, etc, foi rebaixado a segundo plano e viu o primeiro posto ser ocupado pela preocupação com o imediatismo, a disputa em dar a notícia primeiro que o concorrente. Isso resultou em uma queda tremenda na qualidade do jornalismo contemporâneo. As notícias vão ao ar ainda cruas e pode-se considerar que os princípios básicos do jornalismo deram lugar a preocupação com as empresas de comunicação, ou seja, o lado ético e profissional perdeu espaço para o lado comercial.

O caso de Jayson Blair é um marco e é tratado como um símbolo negativo na história da comunicação, sempre voltamos ao tema em aulas e palestras sobre a ética. Sem deixar de levar em conta a gravidade deste caso, não posso me furtar a comentar que todos os meses ocorrem erros de também enorme gravidade na mídia nacional e internacional. E, infelizmente, levando em consideração o cenário descrito no parágrafo anterior, prevejo que não tão cedo deixaremos de ler, escutar e assistir as notícias que nos chegam com os dois pés atrás.

Yoani Sánchez: Ninguém vai me censurar

A aversão aos líderes ditatoriais de seu país e, consequentemente, às decisões e modo com que os irmãos Castro governam o estado, fez com que Yoani Sánchez expressasse todo o seu repúdio, com uma pitada de humor, através de um blog que ganhou projeção e reconhecimento internacional. Os textos pungentes e reflexivos de Yoani representam não somente uma manifestação opositora ao regime centralizador de Raúl e Fidel Castro, mas também, sob o ponto de vista jornalístico, o fato merece ser analisado de uma forma mais ampla.

Enquanto o conteúdo da página de Yoani Sánchez (www.desdecuba.com/generaciony) engrossa as vozes daqueles que reivindicam o direito de ir e vir em seu próprio país, o meio com que Yoani encontrou para se manifestar burlou a censura, abrindo uma janela em Cuba. Seus textos foram lidos por pessoas de diversas nacionalidades em inúmeros país distintos e, graças ao trabalho em seu blog, ao mesmo tempo em que prêmios lhe foram concebidos, o imediato conhecimento dos governantes do país lhe rendeu até um (longo) prefácio de Fidel Castro em um livro, o que significa que sua página recebe visitas ilustres e seus posts atingem de maneira direta os principais alvos de suas palavras.

O que não podemos deixar de ressaltar é que, além dos méritos que devemos atribuir à Yoani pela exemplar iniciativa, o veículo do qual ela se beneficiou para alcançar toda essa projeção midiática foi um blog, deixando, com isso, explícita a força que a blogsfera possui hoje em dia. Ainda que isso já fosse evidente, pois todos nós acessamos blogs diariamente e há inúmeros casos de furos jornalísticos que ganharam a imprensa através desses portais, o caso de Yoani Sánchez pode ser encarado como a consolidação definitiva dos blogs entre os principais veículos de comunicação existentes nos dias de hoje e até onde as palavras postadas podem chegar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ela disse que meu idioma soa bem, e eu desconversei para não ficar lisonjeado. Permaneci a dizer bobagens, já que ela nada entenderia. Para ser sincero, nem eu mesmo estava atento ao que eu dizia, minha atenção era toda naquele olhar esverdeado fixo em minha boca, gostando de meu sotaque latino. Escute, direi de forma vagarosa, tente entender ao menos o contexto. Não quero mudar a sua realidade, não planejei estratégia alguma para levar-te comigo ao Brasil. Permaneça aqui e, quando a lembrança desta noite voltar doloridamente à sua memória, você poderá matar a saudade de meu português através de uma fria ligação telefônica. Entendeu algo que eu lhe disse? Eu também me perdi um pouco, tropecei no verde dos seus olhos e caí em cima de minha língua. Vê-los mirando a minha boca me agrada tanto que forço ainda mais o acento, tento falar meu idioma de forma aberta, limpa. Quando a lembrança desta noite voltar doloridamente à minha memória, não poderei saciar minha solidão de maneira alguma, pois nasci em um país que vive longe de seus olhos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Se todo mundo sambasse seria tão fácil viver"

Ontem, desinteressadamente, havia dois violões em meu quarto. Hoje não há instrumento algum, e a vontade de bater um sambinha pintou, inesperadamente. Mas variáveis como essa ocorrem amiúde em minha vida, que é pautada por música e norteada pelo samba. Não quero com isso definir-me como sambista, quem dirá? Sou apenas um admirador da arte, salve, salve, saravá!

terça-feira, 10 de março de 2009

Não sei se é realmente bela assim ou somente naquele exato momento em que lhe clicaram fotograficamente é que estava com uma aparência celestial. Bem ou mal, mantive meu pensamento naquela fotografia, considerando, até então, que seria passageira a situação.
Despertei sentindo muita preguiça. Avaliando-a como diária, achei que logo passaria. Levantei-me da cama e a tontura, que normalmente desaparece em segundos, acompanhou-me durante todo o dia. Olhei-me contra o espelho, e a imagem intacta ali permaneceu, mesmo após meu passo adiante.
Como se fosse a queda da cachoeira de São Pedro, estiquei minha mão até a torneira da pia do banheiro e, juntando um punhado de água sobre as palmas de minhas mãos, joguei-a inteiramente em minha face, que molhada ficou até a noite, escorrendo a água matinal e o suor cotidiano. Mastiguei meu desjejum e permaneci ruminando, caminhei meu percurso e andei e andei sem destino, retornei para casa de onde aparentemente não havia saído.
São 12 horas da noite, a preguiça toma conta de mim e sua foto não me sai da cabeça.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

José Geraldo Juste




Neste último sábado, dia 10 de janeiro, no bem organizado Centro Cultural São Paulo (CCSP), assisti ao show de Zé Geraldo, o mineiro que, entre outros grandes sucessos, é o autor da inteligentíssima “Cidadão”.

Zé Geraldo incluiu no seu repertório canções conhecidas de seu público como “Milho Aos Pombos”, “Na Barra Do Seu Vestido”, "Mr. Tambourine Man", “Meiga Senhorita” e a inesquecível “Cidadão”, canção que já foi regravada por grandes nomes de nossa música, como Zé Ramalho e Sílvio Brito. Esta canção, aliás, projetou o mineiro de Governador Valadares.

A simplicidade com que Zé Geraldo apresenta-se no palco chama muito a atenção. Sobre o palco, parece que Zé toca aos amigos, em sua casa. Trata todos da platéia como amigos. Chegou inclusive a brincar com crianças que rodeavam o palco, até mesmo dando a oportunidade de uma delas soltar a voz em seu microfone, coisa que ele faz com uma naturalidade notável, preenchendo os espaços do auditório com sua voz bonita e rouca.

Se as músicas de Zé Geraldo evidentemente não beiram o brilhantismo (talvez não por falta de inspiração e sim por capacidade técnica), o mesmo não pode ser dito de suas letras contagiantes e bem elaboradas. Pelas ótimas letras que suas canções possuem, o músico independente Zé Geraldo deixa transparecer a imagem de um sujeito vivido, mambembe e cheio de histórias para contar. Suas letras simples, envolvidas de ótimas idéias dentro do contexto das histórias, emocionam seus fãs e admiradores da música nacional.

Durante o show, Zé Geraldo declarou que sua maior influência na música foi o norte-americando Bob Dylan.Vi mais de três pessoas vestindo a camisa de Raul Seixas lá. Realmente Zé tem muito de Raul. E de Renato Russo também. A maneira de escrever suas letras, a personalidade rock muito aflorada, ideologia de vida...

Zé Geraldo é um artista brasileiro.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Sampa vai parar porque parou


O trânsito de São Paulo está cada vez mais insuportável.
Quando chove, então, vai-se paciência. Chuva, para mim, virou um aviso dos céus: Não saia de casa. Acaterei.
Além do intolerável fato das pessoas perderem muitas horas de seu dia paradas nestes engarrafamentos que já se tornaram um dos símbolos de Sampa, há outros problemas gravíssimos que ressaltarei.
A poluição que os infinitos carros soltam, parados, por horas e horas.
O barulho das buzinas dos moto-boys. Isso é uma coisa que tem que ser observada. Você olha em seu espelho lateral do veículo e vê aquela fila interminável de motos avançando e todos passam buzinado. A poluição sonora disto é tremenda.
A melhoria e extensão do transporte público é a alternativa mais eficaz para que as pessoas deixem de usar seus automóveis.
Caronas. Sempre foram e sempre serão bem-vindas.
Não vejo solução imediata para o trânsito de Sampa.


Aproveito as horas diárias no trânsito ao lado de meu rádio.
Ah, não fosse o rádio!

Está tocando nas rádios as músicas do show de Roberto e Caetano em homenagem a Tom e, obviamente, a bossa nova.
A junção de duas personalidades tão importantes para a música brasileira chega a me emocionar.
Li nos jornais artigos comparando a interpretação dos dois músicos, como se ali estivesse havendo algum tipo de disputa, para ver quem canta mais e melhor.
A imprensa não cansa de me decepcionar.
Quanta bobagem.
Só o fato dos dois estarem dividindo o mesmo palco já é uma coisa extremamente significativa, pois, sobre aquele palco, está grande parte da história de nossa música.
Fã inconteste de ambos, cada qual de seu modo, ouço e delicio-me da junção Roberto/Caetano/Tom. Resultado extraordinário, não poderia deixar de ser.
Aliás, poderia haver um show da dupla novamente, só que desta vez apenas com canções de autoria deles. Lindo deve ser os dois cantando juntos “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”, de Roberto e Erasmo, composta em homenagem ao Caetano, quando este encontrava-se exilado, em um mundo tão distante, entende-se, por aí, a cidade de Londres.
Caetano é sem dúvida uma figura ímpar de nossa história. Caetano poeta, compositor, músico, artista. Gênio, incomparável, único e inalcançável.
Se Caetano compusesse hoje “Sampa”, teria a música os mesmos versos?
Sugeriria ao Caetano a inclusão de trânsito na letra.
Ou na introdução da música uns barulhos de buzina. De moto, diga-se.
Claro que não é do direito de ninguém, nem mesmo de Caetano, encostar o dedo em uma obra-prima da música brasileira, canção linda e símbolo maior de Sampa.
Roberto canta muito!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Anos Dourados

Desde pequeno, meu pai sempre comentava para mim:
“A música é muito mais linda.”
Expressava, assim, sua opinião a respeito da música “Anos Dourados”, de Tom e Chico.
Lembro claramente.
Meu pai sempre achou a música de Tom maravilhosa. Gostava da letra do Chico, mas a música lhe emocionava demasiadamente.
Recordo destes momentos porque escutei hoje no rádio “Anos Dourados”, instrumentalmente interpretada por uma orquestra. De arrepiar.
Certa vez, li em um artigo escrito por Chico Buarque que “um acorde do Tom, é como se abrisse uma janela”.
A sensibilidade musical do maestro são daquelas coisas que só o dom mesmo. Reconhecia a espécie de pássaro pelo canto entoado. Para ele, muitas vezes o silêncio sussurrava extremamente alto. Tom sabia os acordes do silêncio.
As músicas de Tom Jobim, na opinião deste blogueiro, são as mais lindas da música popular brasileira.
E quem disse que Tom é apenas compositor de melodias?
O maestro fez letras estupendas, como “Águas de Março”, “Luiza”, “Ana Luisa”, “Lígia”... Podemos considera-lo um poeta de mão cheia. De notas e versos. Afinal, dê que podemos adjetivar “Águas de Março”?
Fico ao lado de meu pai.
A letra de Anos Dourados é linda.
Mas a música de Tom é extraordinária.
Uma de suas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

domingo, 30 de novembro de 2008

A vi usando chapéu.
Devido a isso, pensei, ela chamou minha atenção.
Mesmo tendo um rosto limpo, cabelos lisos e movimentação contagiante na nossa área comum.
Mas ela tirou o chapéu.
E o rosto dela tornou-se ainda mais limpo, seus cabelos ganharam mais linhas e sua movimentação acabou por atrair ainda mais minha atenção.
Aquele chapéu fazia era esconder sua graça.
Após tira-lo, pude ver que realmente era bonita.





Falando em coisa bonita e cheia de graça, ontem, dia 29, a TV Globo passou mais um ótimo programa em péssimo horário, o Som Brasil.
O homenageado da vez foi o nosso saudoso Antonio Carlos Brasileiro Jobim. O Tom Jobim. Ou simplesmente Tomzinho, como Vinicius se referia ao maestro.
Depois escrevo um texto aqui falando apenas de Tom.
A respeito do programa, não posso comentar.
Por que?
Se manifeste quem suporta esperar um programa que inicia após o término do programa de Jô Soares.
Assistirei assim como o Som Brasil de Djavan, Gonzaguinha, Vinicius e Noel, gravados pelo querido Victor.
O horário bom da Globo passa novelas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Bem, Amigos!


Quando Galvão Bueno, da Rede Globo de Televisão, durante a transmissão de uma partida de futebol da seleção brasileira, narra friamente uma troca de passes globalizada, é de partir o coração. No último amistoso da equipe, contra o time de Portugal, mais uma vez Galvão explicitou a falta de identidade que nós, que vivemos no Brasil, temos para com a nossa seleção. Reproduzo, aqui, o trecho que me inquietou durante a transmissão do jogo:
“Maicon, jogador da Inter de Milão, da Itália, passa a bola para Anderson, que atua no Manchester United, da Inglaterra, que agora toca para Kaká, astro do Milan, da Itália, é um time repleto de estrelas!”
Achei interessante porque não é a primeira vez que ouço essa descrição globalizada de uma troca de passes por Galvão Bueno. Se vocês repararem, todo jogo do Brasil ele faz isso. O que interessa, para um torcedor são paulino, flamenguista ou cruzeirense, se o fulano joga no Milan, ou beltrano atua no Barcelona? Eles estão defendendo o nosso país.
A falta de interesse cada vez maior dos torcedores brasileiros com a seleção, muito se deve pelo fato de que praticamente todos os jogadores convocados atuarem fora do país. Um dos atrativos para os brasileiros, durante as partidas do Brasil, é ver o jogador do seu clube que foi convocado atuar. Claro que não é só isso, mas isso também esfria os ânimos.
Há muito tempo a globalização econômica e cultural atingiu o futebol. Cada vez menos ídolos se tornam em clubes nacionais. Uma temporada mediana em terras tupiniquins já é o suficiente para o jogador expandir o talento brasileiro em proporção mundial.
Discussões acerca da nossa seleção sempre hão de existir. Sendo ela campeã da copa, ou perdendo jogos teoricamente simples em casa, a paixão do torcedor sempre falará mais alto. Mas eu, um torcedor apaixonado como qualquer outro, me sinto no direito de sentir uma punhalada no peito, ao saber que hoje “Carlos Alberto Torres seria jogador da Inter de Milão, da Itália, Gérson atuaria no Manchester United, da Inglaterra e Pelé, seria astro do Milan, da Itália”. E uma das culpadas por isso é a Globo, onde atua o nosso Galvão Bueno.

domingo, 9 de novembro de 2008

8:00 am



Levantei-me da cama. Estiquei-me. Olhei-me contra o espelho. Banhei a face na pia:

Mais um dia está começando.

Abro a janela, como de costume, para recepcionar o novo dia que surge.
Imediatamente o sol invade meu quarto. As árvores e flores estão volumosas de vida, os pássaros ao redor cantarolam sem pausa, um discreto arco-íris e um show de borboletas ensaiam um espetáculo colorido. Com a vista turva de luz e êxtase, aprecio o dia excepcionalmente lindo que se inicia. Isso não é comum nesta estação do ano:

Fabiana está voltando.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Rapaz, parece covardia exceções haveria mas quando falamos em mulheres são todas iguais maioria

- Rapaz, eu ando com uma mania estranha meio paranóica cá da minha cuca que não consigo largar é mais forte que eu não consigo parar.

- Mania estranha, paranóica... De quê?

- Rapaz, chega assim Alicinha aqui perto de mim sinto uma vontade doida de recitar-lhe um poema dançar uma valsa tocar-lhe uma música segurar-te a mão abraçar-lhe o corpo balbuciar-lhe no ouvido que eu não consigo me segurar parece que Alicinha contém um imã que me atrai para dentro de ti louca magnitude impossível de segurar.

- Xiii, já lhe disse tudo isso?

- Rapaz, chega Alicinha eu mal consigo soletrar uma letra não dá pra explicar o sangue sobe corando minha face parece que comi malagueta das brabas e engoli um terremoto daqueles dos jornais porque me tremo por inteiro cruzes amigo o tsunami acho que aconteceu no meu corpo me alagou de poesia mais não sai nem rima nem ao menos um oi Alicinha zomba de mim ri da minha cara me vira as costas e flerta com outro defronte minha fuça.

- Aparenta ser grave!

- Rapaz, se é grave não sei ao menos tudo que lhe conto aconteceu mais de uma vez já virou mania parece ritual Alicinha chegou pá pum tudo igual minha cuca envia o sinal meu corpo obedece por bem ou por mal na verdade não tenho esperança de melhora alguma pois travo literalmente não enxergo cura você talvez poderia me ajudar amigo é pra essas coisas acredite nisso não só pelo samba que assim diz porque eu também agora lhe digo conto contigo?

- Ah! Lá vem!

- Rapaz, pois bem agora escute o que tu vais fazer não é nada difícil tão pouco impossível ficarei te devendo essa pelo resto de minha pobre vida quando sobrar algum dinheiro ou inspiração juro que lhe pago e lhe dou minha palavra de cabra macho quando eu juro está jurado pode me cobrar ou não me chamo

- Mas ande homem! Diga logo!

- Rapaz, quero que você procure Alicinha em meu nome e diga à ela que ela é a coisa mais linda que existe por cá nestas bandas e que eu sinto uma coisa tão doida por ela que em sua presença não soletro nem a primeira letra de seu nome mas vou melhorar desse tique nervoso e quero me casar com ela de terno na igreja na frente do padre assinar o papel pegar-lhe no colo levar-lhe em lua-de-mel pra uma viajem bonita tudo de primeira como sua mãe desejaria e ela vai ser a moça mais feliz desse mundo teremos 5 cinco filhos nenhum vagabundo um deles doutor Vicente Raimundo viveremos eternamente bem juntos como em novelas da televisão com aquela música no fundo.

- Hahaha E essa! Você mal consegue dizer-lhe uma palavra! Como vai pegá-la no colo, na igreja?

- Rapaz, faça o que lhe peço ligeiro não lhe devo explicações você é meu amigo confidente e parceiro te quero muito bem sei que me queres bem também então corra vá depressa não agüento mais esperar Alicinha tem que ser minha meu coração vai estourar só me juntando com ela pra esse tique passar mania de doido eu sei mas pra essa paranóia de amor só Alicinha é solução xispa salta ligeiro com destino a casa da minha amada amigo desnaturado se tudo der certo lhe serei eternamente grato.

- Hahaha Está bem! Só você! Amanhã lhe trago a resposta.

- Rapaz, vou fingir que não entendi amanhã tá maluco lhe está faltando parafuso olhe meu estado acredita mesmo que tenho condição psiquiátrica de esperar mais um dia estou começando a achar que o maluco aqui é você ou me traga essa resposta hoje ou me interne hoje mesmo em uma clínica para esquizofrênicos e me acabo pra vida por lá xô não quero isso sai pra lá portanto vá logo não da pra esperar Alicinha resposta sua quero jajá.

- Mas como exagera! Está bem. Agüente firme por aqui, lhe trago isso hoje mesmo.

- Rapaz, vá depressa confio em você não vá se atrever a me distorcer lhe transmita exatamente tudo que lhe falei acrescente somente pontos e vírgulas de resto não mude sequer uma sílaba seu pombo-correio de casa de vadia se não te esgano amigo da figa!

- Alto lá! Tu sabes que sou de extrema... Confiança!

- Rapaz, sei mas nunca é demais fazer uma pressão não se brinca nunca com o coração

- Chega! Estou partindo, até breve.

- Rapaz, boa sorte aquele santo que esqueci o nome das causas perdidas que lhe acompanhe confio em você sei que é homem volte com uma resposta positiva ou

- Ou o quê! Tchau!

- Rapaz, ou nunca mais escrevo poemas danço valsas toco violão transo com ninguém cruz credo não quero mais isso quero Alicinha e seu corpo bonito que me inspira todo me faz verso e prosa flutuando bem alto no meu mundo lírico eu e Alicinha juntos num livro mas não de Marguerite Duras melhor numa música mas não de Lupicínio Rodrigues melhor em um poema de Quintana é mais garantido um final feliz sem ninguém pra meter o nariz!

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- Rapaz, qual foi a resposta sou só curiosidade com mesclas de nervosismo meu tique está total dominante não me agüento mais estou pra surtar ou me fala agora ou pode me internar desembucha agora ande ande depressa amigo maldito Alicinha será pra sempre feliz comigo?

- Amigo, lhe digo estas com profundas lamentações: Alicinha não gosta de poesias, não dança valsas, não ouve músicas nem quer viver romances! Escute, amigo, ela não merece esta mania doida, que tu chamas de tique paranóico!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O trio que deixou saudade


Juventude: Ousadia, inovação, distorção, dissonância, irreverência, rock and roll.

A maior banda brasileira de rock de todos os tempos, atende pelo nome de Mutantes.

O trio, formado por Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee é com justiça até hoje reconhecida mundialmente como a mais criativa e dinâmica que nós já tivemos. Eu, particularmente, sou fã de toda a trajetória deles. Desde o seu início, quando fizeram parte da tropicália –participando, inclusive, de festivais de mpb e da gravação do antológico “Tropicália ou Panis Et Circenses” -, de sua fase psicodélica e progressiva.

O auge da banda foi durante a década de 70, com a gravação de “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado”, “Jardim Elétrico” e “Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets”. Após a saída de Rita Lee, ainda no início da década de 70, por motivos até hoje não bem esclarecidos, a banda abraçou de vez o rock progressivo. Entretanto, por motivos de desentendimentos internos, com a gravadora e envolvimento com drogas (principalmente por parte de Arnaldo), o grupo passou por uma crise.

A banda até hoje está aí. De sua formação original, apenas Sérgio ainda integra. Mas, evidentemente, sua formação original deixa saudades. Este blogueiro certamente é igual a muitos fãs que, fazendo um exercício de imaginação, fantasia como seria se Rita Lee não saísse da banda, se Arnaldo não tivesse abusado tanto dos alucinógenos... Quanto som bom a mais viria para nós?

Gostei muito de Rita com o Tutti-Frutti e adoro sua carreira solo.
Até hoje gosto do som do Mutantes.
Mas, o auge de ambos, foi quando estavam juntos, transmitindo-nos rebeldia, criatividade e talento.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O mesmo

O mundo parece simples
Tão simples que nem vejo
Que os anos assim se passam
E eu permaneço o mesmo

O mesmo de outros tempos:
Mesmos lugares frequento
Mesmos amigos tenho
Mesmos objetivos almejo!

Por isso quando alguém encontro,
Que há muito não vejo
E ele assim me pergunta:
O que tu andas fazendo?
Eu lhe digo: O mesmo!



Caminhava em direção ao armário com a intenção de organizar a desordem, posto que, no dia seguinte, estava de partida daquela cidade. Um barulho esquisito me fez interromper o trajeto: Era a campainha. Mais surpresa do que curiosa, fui atendê-la. Ao abrir a pesada porta de madeira jatobá, um funcionário do hotel ali estava. Imediatamente o identifiquei, pois estava devidamente uniformizado, seu braço encontrava-se estendido e a mão aberta, em gesto típico no qual os funcionários pedem gorjeta. Perplexa, pensei: “Gorjeta de quê?”, “Nem o solicitei aqui”. Indaguei:

- Pois não?
O rapaz respondeu:
- Com sua licença, senhorita, mandaram entregar-lhe.
Mal notara: Em sua mão havia um envelope, justifica-se aí a razão da posição de gorjeta.
- A mando de quem?
- Perdão, senhorita, o rapaz pediu segredo.
Certamente ele não revelaria o remetente, uma gorda gorjeta o silenciara.
- Pois bem, agradecida. E tratei de fechar a porta.

Ora, rapaz? Bilhete de um rapaz? Mal andei de papo com alguém deste lugar.
Minha apreensão só fez aumentar quando olhei para a carta que em minha mão estava: Um envelope velho, já outras vezes utilizado. O aspecto velho do papel só o tornou ainda mais misterioso, de modo que me guiei até a cama, com a intenção de o quanto antes desvendar o conteúdo da misteriosa carta.
Acomodei-me sobre a cama, com demasiada pressa abri o tal envelope e, de seu interior, retirei uma folha de papel. O papel estava escrito a punho, tinta preta, letras cursivas meio trêmulas. Seus escritos assim diziam:


“Amaralina, 22 de dezembro de 1958


Perdoe-me invadir assim seu quarto, por meio desta carta, é que coisas assim acontecem uma vez em vida, e não posso deixá-la escapar.
A vi aqui chegar, em um carro branco, cheio de bagagens. Por Deus! Como estava linda, senhorita! Senti algo diferente, que jamais havia sentido anteriormente, ao vê-la descer do carro, segurando a saia de seu vestido azul, olhando para o hotel, com semblante cansado.
Pois bem. Desde então, não consegui pensar em outra coisa, a não ser na formosa morena que aqui se encontra. E hoje, com pensamentos voltados em ti, perguntei a um funcionário (que fez a gentileza de entregar-lhe estas linhas), o quarto em que estavas e o dia em que partias. Logo, ele disparou: “A moça parte pela manhã”.
“Faça não!” Pensei: “Hei de falar com ela, não posso deixá-la partir”.
Conto-lhe que, a cerca de 3 horas atrás, ocorreu uma prova irrefutável de covardia masculina. Ao lhe ver na entrada do hotel, onde estamos hospedados, parti em sua direção, com o intuito de lhe dizer tudo que sinto. Quando estava quase a ponto de tocar-lhe o ombro e, finalmente, ver estes olhos castanhos voltarem-se para mim, comecei a tremer, suar e vi minha face se corar por inteira, a ponto de, até este momento, em que lhe escrevo, estar me sentindo calorento e trêmulo. Isso é de se zombar!
Após este ato de excessiva timidez, resolvi lhe dizer tudo o que queria através destas linhas, mal traçadas e mal escritas, mas justificáveis: Escrevo trêmulo e com pressa, na tentativa de adiar sua partida.
Senhorita! Suplico-lhe: Me dê a oportunidade de conhecê-la!
Apesar desta abusada atitude que cometi, de lhe invadir o quarto, lhe invadir os olhos e a paciência, assim agi por desespero. Sou gentil e educado, prometo não abusar mais do que das palavras!
Mas, se por um acaso, por algum motivo irreversível sua resposta for negativa, lhe peço: Deixe-me escrever mais para ti! Deixe-me seu endereço, quero lhe enviar cartas e mais cartas, frases e mais frases, linhas e mais linhas, versos e mais versos. Assim, desafogo o peito!

Para a morena que encantou e me tomou por inteiro,
Com as mãos trêmulas e o pensamento firme,
Fernando.”


“E essa!” Pensei, após recuperar o fôlego.
Levantei-me da cama, zonza (as palavras do rapaz, que agora sabia que se chamava Fernando, caíram como uma pancada em sua cabeça), segui até a porta pesada de madeira jatobá, chamei o mesmo funcionário que me havia entregue a carta, e lhe disse: “Cancele minha partida”, e logo obtive a resposta: “Sim, senhorita, com a rapidez de costume”.
Tratei de fechar a porta, sentei novamente sobre a cama, re-li a carta e pensei: “Como será Fernando?”.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Resenha: "A arte de fazer um jornal diário"


Análise do livro “A arte de fazer um jornal diário”

Em seu livro “A arte de fazer um jornal diário”, o autor, Ricardo Noblat, faz uma reflexão de sua larga experiência de, até então, trinta e cinco anos, trabalhando como jornalista. O livro, lançado em 2004, pela Editora Contexto, aborda o jornalismo em vários aspectos, produzindo uma adequada exposição da profissão e de seu sentido. Para facilitar esta análise, em cada parágrafo, vou me referir a capítulos específicos do livro, seguindo, assim, a ordem de seu sumário.

Sobre o alucinado ofício do jornalismo: Ricardo Noblat acertou em cheio ao escolher um trecho de um dos textos de Gabriel García Márquez sobre jornalismo para epígrafe. Ninguém melhor que o escritor e jornalista colombiano para, em poucas linhas, resumir que o “jornalismo é uma paixão insaciável que só pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade”.

Capítulo I: O livro é iniciado com um diálogo entre um jornalista e um cidadão comum. Na conversa, o cidadão faz uma série de perguntas ao jornalista. O autor, certamente, calculou que essas perguntas são questões que quaisquer pessoas que estão de fora do mundo jornalístico sentem vontade de perguntar a alguém da profissão. Seguindo, o autor fala sobre a crise em que vive atualmente a mídia impressa. Baseado em números e estatísticas, Noblat prevê um futuro árduo para os veículos, enfatizando a chega da televisão, ascensão da Internet e desinteresse cada vez maior por parte dos jovens pela leitura. Aproveita a oportunidade e faz inúmeras sugestões que, em sua visão, pode tentar melhorar esse negativo quadro.

Capítulo II: Noblat faz reflexões sobre ética, defende que o jornal deve ser produzido pensando na população e não como apenas um negócio, pois, segundo ele, o jornal deveria ser um espelho da consciência crítica da comunidade em determinado espaço de tempo. Analisando o caso Tim Lopes e casos conhecidos de invasão de privacidade, Ricardo Noblat volta à distinção do que é interesse público e o que é de interesse do público, porque apenas a primeira opção deveria interessar ao jornalismo sério.

Capítulo lll: Neste capítulo do livro, o autor fala sobre questões básicas do jornalismo como apuração, faro jornalístico, como lidar com as fontes, o que é e o que não é notícia e, tudo isso, contando histórias e casos particulares de sua longa carreira. Tenta, assim, baseado em sua experiência, explicar, de forma didática, como agir em certas situações e o que é certo fazer em casos corriqueiros da profissão.

Capítulo IV: Este capítulo é dedicado à escrita. Ricardo Noblat ensina como deve ser um bom texto jornalístico. É, praticamente, um “manual para iniciantes”. Cita outros escritores como Graciliano Ramos, García Márquez e Vinicius de Moraes, fala da importância de cortar palavras, ter um texto conciso, escrever frases curtas, ser direto, preciso e claro. Escrever como se fala, simplificar, ter um vocabulário amplo, não usar chavões e adjetivos e reescrever quando preciso são outras lições que Noblat nos passa. Analisa reportagens já publicadas para demonstrar melhor aos leitores como deve ser uma reportagem bem escrita.

Capítulo V: Como ele mesmo diz, o capítulo cinco é uma “campanha por melhores títulos”. Conta histórias, cita títulos já publicados e ressalta a importância de bons títulos para as matérias. Também fala da importância de sempre querer aprender coisas novas, independente de idade e tempo na profissão, pois, não só no jornalismo, a arrogância é ruim para qualquer profissional.

Capítulo VI: No capítulo seis temos a oportunidade de acompanhar Noblat por uma reportagem por ele feita. O autor revela os seus bastidores, fazendo-nos acompanhá-lo e, de certo modo, compartilhar dessa experiência.

Capítulo Vll: Noblat conta da reinvenção do jornal Correio Brasiliense, da história de sua reforma e como foi toda essa trajetória de sua reestruturação. Expõe opiniões de jornalistas consagrados, e de outros veículos, sobre o jornal, como Mino Carta, Reynaldo Jardim e Jânio de Freitas. Ilustra páginas com fotos de primeiras-capas do Correio Brasiliense.

Capítulo Vlll: Neste último capítulo, Ricardo Noblat traça uma linha do tempo da notícia. Analisa, desde 59 a.c., as datas que marcaram a vida da imprensa, construíram a história do jornalismo e fizeram ele se tornar o que é hoje.

O livro “A arte de fazer um jornal diário”, de Ricardo Noblat, é leitura obrigatória para jornalistas. Mas, sobretudo, a jornalistas iniciantes que, ao lerem este didático livro-manual jornalístico de Noblat, terão um reforço do que aprendem nas universidades e a oportunidade de saberem como agir em diversas situações da profissão, através de histórias e exemplos dados pelo experiente autor.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Esse papo já tá qualquer coisa...




Gosto de manter este espaço limpo e cheirando bem. Mas não posso me furtar a fazer aqui um comentário que me está entalado na garganta, e faz subir o sangue cada vez que vem à tona.

Com as eleições municipais de minha cidade pegando fogo, infelizmente escrevo aqui sobre política. Prometo ser conciso, breve e direto. Até para não poluir muito este blog que, desde sua concepção, é anti-política, e pró-cultura.

Sem mais delongas e com peito inflamado, esbravejo: Não suporto nem ouvir a voz do senhor paulo maluf (sim, letra minúscula, pois nem as maiúsculas o merecem), quanto mais ouvi-la em época eleitoral. Este senhor ainda tem a coragem de se candidatar a algum cargo público! Valei-me!

Mas sabe de quem é a culpa dessa insistência ininterrupta? NOSSA! Ele sempre é eleito! Nós sempre damos o jeitinho de mantê-lo em algum cargo, o que o faz almejar vôos maiores, como a prefeitura de São Paulo, este ano...

A minha indignação maior, ao ouvi-lo, é que, ao citar todas as suas obras, fala da melhoria da cidade depois delas concluídas, que ele foi o que mais fez, o que faz! Ora, faz-me rir, senhor! Tudo bem, maluf construiu bastante coisa, fez projetos, mas, em todos esses, desviando, comprovadamente pela justiça, muito dinheiro. Afinal, ele mesmo não afirmou, que rouba mas faz?

As obras que este senhor construiu foram realizadas com dinheiro público, e não dele. As obras são da população de São Paulo, não do senhor paulo maluf, que fala delas como se fossem patrimônio próprio.

Este papo já está me dando coisas. Mas, para concluir, como em uma propaganda deste senhor que está rolando no ar, na televisão e no rádio:
2 + 2 são 4? Então, você não disse que se o Pita não fosse um bom prefeito não era para nunca mais votarmos no senhor?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ao fim de semana no botequim!

Singela homenagem ao local no qual eu passo boas horas dos meus finais de semana: Famoso Bar do Justo!




Antes de adentrar este templo, a Norte, para mim, eram os verdes olhos de Fernanda e o Horto Florestal. Até então, não sabia onde o palato deleitava-se e a gula abundava-se.

Conheci este oásis de guloseimas e destilados há pouco, mas o suficiente para mudar minha concepção de Norte. Hoje enxergo além. Em minhas noites, há de lá sempre um porém.


Meu contentamento se dá quando estou cá, rodeado de amigos – inclui-se, aqui, no grupo de amigos, os funcionários -, biritando e, quase que corriqueiramente, prevaricando suas charmosas freqüentadoras.


Ah, mas eu não conhecia a Norte! Como vivia por estas bandas sem ser apresentado ao Famoso Bar do Justo - habilidosamente tocado por Valtinho - agora segundo lar deste!


Portanto, para quem anda por estas bandas da Zona Norte de São Paulo, esqueçam seus lares, esqueçam os olhos de quaisquer que sejam, esqueçam aquela mata virgem do Horto Florestal e, solidariamente, viremos madrugadas adentro neste justo templo climatizado por Baco!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Como querer Djavanear o que há de bom


Em uma de suas frases mais conhecidas, o dramaturgo Nelson Rodrigues afirmou que “toda unanimidade é burra”. Concordo, porém em partes.

Para mim, Djavan sempre foi uma unanimidade nacional. Descobri que estava errado por esses dias, quando em um bate-papo informal, em um bar, um amigo me confessou que Djavan não lhe agradava.

O cantor e compositor alagoano Djavan, destaca-se pela versatilidade. Em sua obra, trabalha com diversos ritmos musicais, explorando o sincretismo rítmico nacional.

Mudou-se para o Rio de Janeiro no início da década de 70, quando sua carreira começou a engrenar. Ficou em segundo lugar no Festival Abertura, com a canção “Fato Consumado”, e conquistou seu espaço de vez no cenário musical nacional com o lançamento do LP Flor de Lis, no qual a faixa título, um samba, fez estrondoso sucesso.

Em sua extensa obra, destaca-se a sutileza com a qual ele retrata o dia-a-dia, muitas vezes em composições metafóricas, confortáveis e coloridas. Coloridas, pois Djavan é um apaixonado pelas cores, tendo as explorado em diversas de suas canções.

Compôs com alguns dos mais consagrados artistas nacionais como Chico Buarque, Caetano Veloso e João Bosco, e teve suas canções interpretadas, além desses três, por Ney Matogrosso, Daniela Mercury, Gal Costa, Elba Ramalho, Maria Bethânia, etc.

Sem compreender os argumentos apresentados pelo meu amigo, para expressar sua opinião sobre não gostar de Djavan, creio que essa unanimidade sim, não seria burra, não fosse pessoas que gostam de dizer não enquanto todos dizem sim em coro uníssono.